Vivemos num país
folclórico por natureza, rico em superstições. As
jóias e bijouterias estão resgatando com muito bom gosto uma peça
extremamente típica de uma cultura mestiça como a nossa, os
Balangandãs.
Alguns historiadores
indicam seu surgimento na Bahia. São miniaturas de objetos,
sinais e símbolos originalmente confeccionados em metal,
normalmente ouro ou prata. Entre eles encontramos a figa, espada,
animais, búzios e frutas, reunidos em uma argola também metálica.
Seu nome, Balangandã, imita o som que produziam quando eram
agitados pelos movimentos do corpo de quem os usava.
| Conheça
os amuletos da penca de Balangandãs original, usada
pelas negras:

Foto
e informações da tabela: Simon Jóias
www.simonjoias.com.br
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·
Corrente: símbolo da escravidão. afasta mau olhado
e doenças.
· Pão de Angola: símbolo da longevidade.
· Pomba: símbolo dos santos martires e devoção
cristã.
· Romã: símbolo do gênero humano e
fecundidade.
· Ferradura: símbolo da felicidade e sorte.
· Cabaça: Cosme e Damião - Usado para guardar
água pelos escravos.
· Sol: Oxumaré - Deus do arco-íris e chuvas.
· Lua, Arco e Flexa: Oxóssi - Deus das florestas e
da caça, São Jorge.
· Caranguejo: Omolú - Deus do Sofrimento.
· Espada: Iansã - Deusa dos raios, ventos e
tempestades.
· Caju ou Machado duplo: Xangô - Deus do raio,
trovão, fogo e justiça.
· Peixe: Yemanjá - Deusa das águas salgadas.
· Cajado: Oxalá - Deus do ar,céu, rios e
montanhas.
· Uvas ou Leque: Oxum - Deus das águas doces,
fontes e cachoeiras. |
Negras escravas os
usavam amarrados à cintura em dias de festa.
Acredita-se que negros
vindos da região do Islã foram os responsáveis pela produção
desses ornamentos, eles conheciam técnicas de fundição e
trabalho dos metais. Escravos vindos dessas regiões chegaram em
grandes quantidades à Bahia.
Diz-se que os
Balangandãs afastam o mau-olhado e forças negativas.
Por volta dos anos 70,
uma peça marcante da Joalheria se inspirou neles. Os balangandãs
eram então presos em grossas correntes de pulso, tudo em ouro.
Eis a tão desejada Pulseira de Berloques!
Cada miniatura era mais delicada do que a outra, meteoros, globos,
carrinhos, luminárias, chupetas e acreditem, discos voadores...
Mas hoje eles estão
de volta aos colos femininos, presos a cordões de couro ou
correntes, nos mais diversos materiais e cores, podendo facilmente
combinar com a Moda. E seguem bem de perto seus ancestrais
afro-brasileiros, os símbolos são parecidos.

Um material utilizado
com freqüência nos balangandãs modernos são pedras, cristais
de quartzo, rosa, fumê ou mesmo em ágatas de diversas cores. E
vale tudo, todas as religiões, crenças e superstições. Do
crucifixo cristão, estrela de Davi, até os búzios, escaravelhos
e moedas chinesas. O que importa é a fé.
Vamos conhecer alguns
dos ornamentos vistos hoje no Cordão de Balangandãs, desfilados
pelas brasileiras mais elegantes:
Figa:
tem a forma da mão fechada com o polegar entre os dedos médio e
indicador. É um forte amuleto contra o mau-olhado e inveja. Essa
aparência é também interpretada como um gesto obsceno e símbolo
do ato sexual. A proteção oferecida por tal peça pode ser
devida à crença de que as criaturas do mal são assexuadas e
temem alusões que refiram-se à sexualidade. Não se pode dizer
que sejam amuletos exclusivos do Brasil, pois já foram
encontrados em países da Europa central. Dizem que ela
"fecha o corpo" de quem a usa. Recomenda-se a quem
perde uma figa para que não a procure, pois ela certamente
leva consigo o mal que devia cair sobre a pessoa.
Trevo
de Quatro Folhas: favorece sorte no jogo, chama dinheiro,
dá felicidade a quem o possui, propicia vida longa. Tantos méritos
numa pequena plantinha, o problema está em encontrá-la. O trevo
com 3 folhas é muito comum e utilizado em muitas crenças de
antigas culturas, já o de 4 folhas é raro. Há quem diga que ele
sinaliza uma união, uma encruzilhada que marca um encontro
importante.
Dente:
entre os guerreiros de antigas culturas simbolizavam bravura,
status. Estão intimamente ligados à virilidade, fertilidade. O
mais comum nos amuletos são dentes de animais, longas presas. Seu
uso também afasta o Medo.
Ferradura:
Traz felicidade e sorte. Afasta mau-olhado e desgraças. Três
fortes elementos estão associados a esse objeto. O Ferro, metal
temido pelos demônios e maus espíritos. A forma de uma Meia Lua
evocando fertilidade, sensibilidade. O contato com o Cavalo,
animal que simboliza força, vitalidade.
Pimenta:
o ardor que proporciona ao ser consumida foi o responsável por
associá-la aos símbolos da Superstição. Acredita-se que possa
afastar todo o mal deixando o inimigo com um terrível gosto em
sua boca e ardor em suas entranhas. A cor viva de algumas espécies
são atrativas para os olhos, "puxando" toda energia
ruim que possa vir desse olhar.
Chave:
amuleto que tem o poder de abrir ou fechar. Pode abrir caminhos,
facilitando conquistas. Diz-se que "fecha o corpo"
contra os maus espíritos. Uma chave pode simbolizar um coração
fechado esperando quem o abra para o amor. Pode ser também a
marca de um grande segredo guardado.
Olho
Grego: o olho é o eterno símbolo da capacidade
espiritual de ver. Ele também emite energias. O Olho Grego em
especial é feito de vidro colorido, o mais comum é uma esfera
branca com uma circunferência menor azul turquesa e uma bem
pequena preta, representando a pupila. Afasta qualquer tipo de
inveja. Enquanto realiza essa tarefa ele absorve tais energias,
sendo assim pode se quebrar. Se isso ocorrer não se deve
lastimar, ele cumpriu sua tarefa.
Mão-de-Fátima:
o nome desse talismã muçulmano é uma homenagem à filha do
profeta Muhammad (Maomé). Esse símbolo representa também Fé,
Oração, Jejum, Caridade, Peregrinação, os 5 pilares do Islã.
É a representação da Justiça e Generosidade.
Sapo:
toda bruxa tem um. Pode ser associado tanto à Fertilidade quanto
à Fortuna. Sua fácil reprodução e sua semelhança com o útero
são os responsáveis pela associação à fertilidade. Quanto à
Riqueza, diz-se que se tivermos um sapo todo o dinheiro que sai da
carteira voltará para ela. Está ligado à Lua, umidade,
feminino. Algumas culturas acreditavam que as pérolas surgiam das
entranhas de sapos especiais. Foi usado por egípcios, antigas
culturas orientais e da América Latina além dos Alquimistas e
mesmo por nossos índios.
Coração:
entre os 3 centros espirituais e vitais do ser humano esse é
considerado aquele que equilibra os dois outros, cérebro e sexo.
É o símbolo maior do Amor. Era a única víscera mantida no
interior do corpo durante o processo de mumificação dos egípcios
por ser considerado indispensável à conquista da eternidade.
Quem usa um coração mantém acesa a chama do Amor, do carinho,
do afeto.
Elefante:
símbolo da força não agressiva e sabedoria. Longevidade também
é um de seus atributos. Dizem que um elefante branco anunciou o
nascimento do Buda. Esse protetor da família também é famoso
por afastar demônios.
Moeda
Chinesa: na China do século VII a.C. moedas de cobre
eram gravadas com ideogramas, dois ou quatro em cada peça. Os
ideogramas sozinhos já são fortes escudos contra o mal, aliados
ao metal tornam-se ainda mais fortes. Acredita-se que possam
afastar energias negativas e proteger contra epidemias,
prolongando assim a vida.
Agora que você já
conhece o poder desses símbolos todos não hesite, pendure-os e
saia de cabeça erguida, certa de que estará protegida, na Moda e
muito bonita!
Bibliografia:
Dicionário
Ilustrado de Símbolos
Hans Biedermann - Editora Melhoramento
Enciclopédia
de Conhecimentos Esotéricos
Alfredo Nieva - Editora Professor Francisco Valdomiro Lorenz
Dicionário
de Magia e Esoterismo
Nevill Drury - Editora Pensamento
Dicionário
do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo - Editora Global
Os
Talismãs e seus Segredos
Nadia Julien - Editora Rideel
O
Livro dos Amuletos
Gabriela Erbetta / Michelle Seddig Jorge - Publifolha
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