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A Índia figura entre os
mais importantes centros de Joalheria do mundo. Surpresa???
Atualmente podemos
encontrar joalheiros/designers que produzem peças tão excêntricas
quanto belas e caras! Mas a Jóia é importante nesse país há cerca
de 5 mil anos, e não como mera peça de adorno. A ela estão
arraigados valores muito antigos de natureza étnica, religiosa e
social.
Tanto desenhos quanto
materiais têm um complexo caráter simbólico. As formas podem
remeter a imagens da natureza, com significados às vezes óbvios,
outros não. Pode-se encontrar desde reproduções de jóias antigas
até novos lançamentos (cheios de personalidade e estilo), que chegam
às vitrines de gigantes como Paris e Nova York.
As habilidades dos
ourives, cravadores, lapidários, gravadores, esmaltadores são
passadas entre gerações da mesma casta. A casta dos esmaltadores, os
Sonar, encontrada em Jaipur, capital do Rajastão, é mal posicionada
na escala social, apesar do trabalho minucioso e tão atrativo
realizado por seus integrantes; parece-nos muito contraditório...
Os Bishnoi, parte de uma
linhagem de defensores da natureza, vivem em Jodhpur, cidade do
Rajastão.
Esse grupo produz peças muito pesadas, em cobre e prata. Utilizam-se
de figuras da natureza como fonte de expressão. São peixes que
trazem fertilidade, dente de tigre que dá coragem e força, o círculo
como representação do sol para dar energia.
Um
fato importante é que a jóia indiana está fortemente ligada ao
casamento, e existe uma grande necessidade de torná-lo visível. Aliás,
toda a Índia é regulada pelas regras do casamento e da religião. Ao
término do ato do casamento, o pai da noiva diz: "Agora eu lhe
entrego esta menina adornada de ouro".
O dote é oficialmente
ilegal nesse país, no entanto essa prática sobrevive, principalmente
entre classes mais pobres. O único bem pertencente à mulher são as
jóias que ela recebe da família ao casar-se, a Stridana, do sânscrito
stri (mulher) e dana (presentes). Se ela se divorciar vai levá-las
consigo (e apenas isso!!). Ao enviuvar ela não poderá mais usá-las
em seu corpo, mas poderá passá-las às filhas.
O ouro é sempre o metal
utilizado. Símbolo da deusa Lakshmi, esse metal é sinônimo de
pureza e abundância, por esse mesmo motivo é proibido seu uso nos pés.
Nos meses entre setembro
e março podemos ver filas nas portas das Joalherias (desde as
portinhas estreitas até sofisticados estabelecimentos), é a época
dos casamentos, as famílias esperam por sua vez para selecionarem as
mais belas jóias que vão adornar a jovem noiva.
Algumas peças são
indicadores da casta ou da religião.
As jóias de casamento
na Índia têm o papel da aliança num casamento ocidental. A noiva se
casa "carregada" de jóias, todas devem ser usadas nessa
ocasião.
As peças mais utilizadas são: o Nath (brinco de nariz), o Bor
(adorno usado na testa), o Paizeb (tornozeleira com sininhos) e os
populares anéis, nos pés somente em prata. Uma peça tradicional é
o Mangalsutram, que vem do sânscrito: Mangal (próspero, abençoado)
e Sutram (cordão), é o cordão de casamento, só retirado em caso de
morte do marido. Esse cordão é tecido com finas linhas de algodão
tingidas de amarelo, são 108 pedaços de linha trançados (esse é um
número de sorte para os indianos), um pingente é colocado no cordão
para atrair ainda mais sorte.
O misticismo
"fervilha" na Índia numa linda tonalidade dourada.
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