|
A
Mineração é uma atividade ancestral e “meio mágica”.
O
fascínio de ver o elemento precioso brotar da terra, o escuro
subterrâneo, a riqueza “escondida”, a cobiça, o trabalho
penoso, a esperança renovada a cada punhado de terra removido,
tudo isso faz da Mineração uma atividade cercada de misticismo e
crenças populares.
Nas
minas de prata dos Andes sobrevive uma tradição muito antiga.
Antes de penetrar as profundezas da terra os exploradores
reverenciam El Tio – o demônio. São fiéis católicos que
acreditam no governo dos subterrâneos por forças negativas. A
imagem desse “tio” é o de uma criatura dotada de chifres
retorcidos e olhar ameaçador. Essas imagens estão sempre
presentes nas minas, seja na entrada ou mesmo numa galeria
escondida. Colocam também as oferendas que podem ser cigarros,
aguardente, doces etc para agradar tal “entidade”. El Tio pode
estar acompanhado pela mulher, China Sumay. Os agrados ao casal
propiciam ao mineiro vida longa e sem perigos.
No
livro A tabela Periódica do químico italiano Primo Levi
(1919-1987) lemos: “Todas as minas são mágicas desde sempre.
As vísceras da terra formigam de gnomos ..... que podem ser
generosos e te fazer encontrar o tesouro sob a ponta da picareta
ou te enganar, te cegar, fazendo reluzir como ouro a modesta
pirita, disfarçando o zinco sob a aparência do estanho...”
Muitos
minerais têm em seus nome raízes que significam fraude, engano,
deslumbramento.
Os
gnomos são criaturinhas bastante conhecidas. Dizem que vivem no
interior da terra, guardando os tesouros escondidos. São
protetores dos veios auríferos e podem tanto castigar os mineiros
arrogantes quanto socorrer os humildes soterrados.
Em
Minas Gerais podemos encontrar algumas minas antigas e desativadas
que hoje servem como atração turística ou última esperança de
humildes trabalhadores que removem a terra incansavelmente. Logo
na entrada dessas minas podemos encontrar uma imagem de Santa Bárbara.
Dizem ser a protetora dos mineiros, ela ilumina a escuridão que
esconde a fonte da subsistência. Ao seu lado está sempre acesa
uma vela, dia e noite.
Mineiros
dessa região costumam acreditar que se tratarem bem a natureza as
forças da terra podem enviar sonhos noturnos que mostram o local
exato onde está uma determinada gema valiosa, mas serão
testados, não devem desistir dessa busca, ou assim que se
afastarem do local indicado no sonho perderão a pedra para o
primeiro mineiro que escavar o mesmo local. Tal fato é relatado
por várias pessoas. Um deles contou-me pessoalmente que sonhara
com um Topázio Imperial, tão grande e corado, que mal podia
fixar o olhar. No dia seguinte começou a escavar o local mostrado
e assim o fez por quase um mês, sem contar a ninguém sobre o seu
sonho. Assim que desistiu, um amigo resolveu remexer aquela terra
e em poucos minutos viu surgir a valiosa gema, exatamente como o
outro a vira em seu sonho. A exuberante pedra rendeu uma casa e
carro, além de alimentação farta para toda a família durante
um bom tempo. O dono do sonho lastimou-se, porém não muito.....
“também não dá sorte ficar resmungando”.
A
crendice popular convive com a necessidade física, dividindo em
sonho e realidade o homem que trabalha as entranhas da terra. Mas
será que para esse homem sua realidade seria possível sem o
sonho?
Bibliografia
Minerais
ao alcance de todos
Coleção Entenda e Aprenda - EBI
Dicionário
Ilustrado de Símbolos
Hans Biedermann - Editora Melhoramentos
[ Índice
]
|