Num célebre escrito gnóstico há uma passagem que compara a busca da pérola à da salvação do homem, o seu drama espiritual. Ao encontrar a pérola, o gnóstico completa a tarefa de sua vida. É necessário grande esforço para o conseguir, assim como à verdade e ao conhecimento, pois a pérola se esconde na concha, a concha está no fundo do mar e o mar coberto por ondas.
A origem mítica mais comum menciona conchas fecundadas através de temporais, pelo trovão, o dragão celestial, e sendo alimentadas pela luz da lua, gerando então a pérola. Os celtas usavam-nas para energizar um recipiente, conhecido como Vasilha Mãe, que mais tarde foi chamado Cálice Sagrado, fonte da imortalidade. Poemas épicos indianos como o Ramayana e Mahabarata contém interessantes lendas sobre pérolas: "Após a criação do mundo os quatro elementos honraram o Criador, cada um com um presente. O Ar ofereceu-lhe um arco-iris; o Fogo uma estrela cadente; a Terra um precioso rubi e a Água uma pérola". Na Índia acreditava-se que as pérolas nasciam na testa, cérebro e estômago dos elefantes (animais sagrados), também nas nuvens, conchas, peixes, serpentes, bambus e ostras. Sendo propriedade exclusiva dos deuses, as pérolas das nuvens irradiavam boa sorte. As pérolas das serpentes possuíam um halo azul e descendiam de VaSuki, soberano das serpentes. Os mortais muito raramente viam essas pérolas: somente os de grande mérito gozavam de tal privilégio. Na Malásia acreditava-se que elas nasciam nos coqueiros, enquanto que na China supunha-se que elas cresciam num peixe parecido com a enguia, ou no cérebro do dragão.
Na China e Índia é o símbolo da imortalidade, daí o fato de colocarem uma grande pérola na boca do morto, para regenerá-lo e inseri-lo num ritmo cósmico, cíclico, que, à imagem das fases da lua, pressupõe nascimento, vida, morte e renascimento. Simbolismo forte também é o das pérolas enfiadas em um cordão. É o rosário, o sutratma, a cadeia dos mundos, penetrados e unidos por Atma, o Espírito Universal.
Pérolas na medicina popular: A pérola já foi empregada para tratamentos de saúde por diversas culturas, ocupando lugar de destaque na antiga farmacologia. Foram usadas como afrodisíaco e moídas serviam de cosméticos aos antigos egípcios e chineses; aplicadas à pele, mantinham-lhe o resplendor e o brilho sedutor e iridescente da pérola. Esta serve, na Índia, de panacéia; é boa contra as hemorragias, a icterícia, a loucura, o envenenamento, as doenças dos olhos, a tuberculose etc. Na Europa era utilizada para tratar melancolia, a epilepsia, a demência. A terapêutica hindu moderna utiliza o pó das pérolas por suas propriedades revigorantes e afrodisíacas. Na China, a medicina utilizava unicamente a pérola virgem, não perfurada, que tinha a atribuição de curar todas as doenças dos olhos. A medicina árabe reconhece na pérola virtudes idênticas. As pérolas queimadas eram usadas nas doenças do coração, dificuldades digestivas, doenças mentais e mau hálito. No tratamento contra enxaquecas, úlceras, cataratas e problemas oculares, os pacientes inalavam pó queimado. Aplicado à pele curava a lepra; aplicado sobre os dentes, como pasta, fortalecia esmalte e gengivas. Julgava-se ainda que era eficiente contra gota, varíola, doenças pulmonares e malária; mas os únicos poderes medicinais cientificamente comprovados da pérola são os de antiácido e adstringente. Atualmente estão destituídas da área da Saúde no Ocidente, no entanto curandeiros indianos ainda as utilizam em antigos métodos. Na China pode-se encontrar o pó de pérolas. Os comprimidos de pérolas moídas são vendidos em farmácias do Japão como fonte de energia e cálcio. [
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