Símbolos populares

É interessante ver o quão importante é a Proteção para o ser humano. E talvez mais interessante ainda seja descobrir o quanto a Joalheria pode ajudar sanando, com muita beleza, essa necessidade do homem.

De alguns anos para cá temos visto as mais belas e sofisticadas vitrines de joias apresentando peças exóticas. São pulseiras da sorte, pingentes para boas vibrações, brincos contra ‘mau-olhado’, entre tantas outras mais. Muitos desses símbolos são legítimos integrantes da rica cultura brasileira.

O Designer de Joias participa desse universo com muito estilo e profissionalismo. As peças sofrem um processo de releitura por parte destes profissionais e chegam aos colos, pulsos, dedos, tornozelos e orelhas com um poder de atração que extrapola o lado místico. O sapinho, as ervas, e até mesmo a figa vêm com uma nova “roupagem” que encanta aos mais incrédulos, fazendo com que tenhamos muito orgulho de nossas raízes.

Nessa matéria vamos falar um pouco sobre cada um desses “Símbolos” populares que atraem tanto. A maioria deles é brasileira, mas encontramos também alguns elementos de outras culturas que já foram incorporados à nossa.

Alecrim – Erva muito utilizada na Culinária e também na Medicina Popular. O banho com Alecrim ameniza problemas na garganta como a rouquidão. Atua também como proteção contra os espíritos do mal.

Arruda – O banho com essa erva atrai a Felicidade. Pode ser usada como amuleto (muito vista atrás da orelha) contra mau-olhado. O próprio odor liberado por esse vegetal tem o poder de afastar quem o sente, é forte, marcante, foge aos padrões do ” agradável”.

Bala de Prata – Conhecida principalmente pela lenda do Lobisomem. Acredita-se que uma bala de prata possa eliminar tal criatura. Associada à essa crença está a ideia de que possa exterminar também todas as formas do Mal, sejam energias, pessoas, ambientes etc. Esse metal por si só está associado à lua, ao feminino. Por sua propriedade de oxidação relativamente fácil diz-se que a prata absorve impurezas do corpo de quem a utiliza.

Borboleta – A metamorfose pela qual passa esse inseto (transformado de lagarta em belo inseto alado) é motivo de grande interesse e fascínio. A esse processo faz-se a associação de que uma criatura presa aos valores terrenos possa um dia desfrutar da liberdade dos ventos celestiais. É forte símbolo de representação da evolução espiritual do homem, da capacidade de mudar. É indicada para pessoas que estão “à procura de si mesmas”, que almejam uma mudança em sua vida.

Búzios – Foram, e ainda o são, empregados como buzinas e forma de saudação das embarcações do Rio São Francisco. Os barqueiros acreditam que seu som possa atrair ventos. Chegaram a ser usados como moeda no Brasil por algum tempo. Babalorixás e Ialorixás usam búzios pequeninos para consultar o destino de quem os procura. Essas peças são jogadas sobre uma esteira e sua posição indica uma resposta a uma pergunta. Nos dias de hoje são usados como amuletos para espantar a má sorte. Mas algumas culturas os têm como elementos ambivalentes, podem trazer a sorte ou o azar: é preciso cuidado ao utilizá-los. Búzios foram encontrados em sepulturas neolíticas, ressaltando a antiguidade da crença nesse elemento místico.

Carranca – É a figura entalhada em madeira e colorida rusticamente por artistas ribeirinhos. Apoiada sobre a proa da embarcação tem a função de espantar os espíritos malignos das águas propiciando boa navegação. Podem ter feições de animais como o leão ou mesmo humanas. As formas são sempre agressivas, como caretas a pôr medo em quem as vê. Acredita-se que essas “caras feias” tenham o poder de assustar os tais espíritos das águas e fazer com que se afastem procurando outras vítimas. Usados como peças de adorno podem atuar da mesma forma, afastando criaturas com más intenções.

Chave – Essa peça tão comum no dia a dia de todos nós representa o poder de abrir ou fechar possibilidades. Acredita-se que uma chave de ouro tenha o poder de ligar e a chave de prata desligar. Seu uso depende da necessidade de cada um. Pode ser direcionada para um processo de desligamento de uma pessoa ou situação, de uma antiga forma de vida, de antigas posturas e pensamentos, mas também é empregada quando se deseja encontrar novas opções, iniciar relacionamentos novos, começar um novo emprego, iniciar nova vida.

Cobra – Um dos símbolos que sofre as maiores contradições no que se refere ao seu uso. Alguns acreditam que personifica o mal, outros, que é forte aliada contra as forças mais poderosas que possam nos atacar. As cobras sofrem o processo da troca de pele e esse é um evento que desperta a curiosidade. Essa característica possibilita associá-la ao rejuvenescimento, algo muito desejado pelo homem em todos os tempos! Mas são muitas as crenças que cercam esse réptil. A ela está associada a imagem do Uroboro, a serpente que morde a própria cauda formando uma circunferência, símbolo de processo, da continuidade, eternidade. Está também associada à Kundalini, energia vital e sexual situada na base da coluna e que, se despertada, pode fluir pelo corpo do homem através da espinha dorsal, em forma de uma serpente que enrolando-se, em espiral, sobe até chegar à cabeça.

Dente – Difícil entender porque esse elemento está tão associado ao universo sexual. Não é desconhecido o hábito da criança atirar seu primeiro dente caído sobre o telhado, esse costume surgiu da crença dos cristãos norte-africanos de que se o primeiro dente não toca o chão evita-se futuras dores genitais. Acredita-se que o dente de uma criança de sete anos montado em uma estrutura de prata ou ouro e usada junto do corpo seja um forte contraceptivo. Devido à ânsia que cerca o ser humano por morder o outro durante o ato erótico faz-se a ligação entre a mordida, mastigação, ao ato sexual. Até mesmo nos sonhos os dentes têm fortes significados, quando caem estão diretamente relacionados à impotência. Na Idade Média eram usados como indicadores de veneno nas bebidas dos soberanos, um dente preso a um cordão era mergulhado na bebida, se escurecesse era sinal de envenenamento. O uso de um dente junto ao corpo pode estimular a libido de quem o possui.

Elefante – Admirado em diversas culturas esse animal está sempre associado à pureza. Diz-se que a fêmea só dá à luz na água, ocultando a exposição desse momento. Sua longevidade é motivo de grande interesse. O elefante branco é o mais usado, diz-se que foi ele quem anunciou o nascimento de Buda. Animal extremamente inteligente propicia a sabedoria por parte de quem utiliza sua figura, atrai também prosperidade, energia e tranquilidade.

Escaravelho – A imagem mística desse inseto está ligada especialmente à espécie chamada Escaravelho-Bosteiro (popularmente conhecida como Rola-Bosta). Os egípcios acreditavam que esta espécie era composta apenas por elementos do sexo masculino. Esses insetos depositavam então seu sêmen sobre o material que transformavam em bola girando com as patas traseiras, incansavelmente. Esse fato fez com que o associassem ao sol, ao círculo que o sol desenha no céu, um dia após o outro. São encontrados adornando o peitoral de múmias, como um símbolo da ressurreição. O Escaravelho representa a renovação, o desenvolvimento.

Espada de São Jorge – Planta que recebe esse nome por ter a aparência de uma espada. São Jorge é um santo cristão conhecido pelo feito de matar um temível dragão com sua espada. É chamado santo guerreiro, que enfrenta o mal e o extermina completamente. Essa planta é muito utilizada em rituais de Candomblé. Atua como proteção contra as tentações e feitiços.

Ferradura – Amuleto ligado à sorte. Acredita-se que proteja contra mau-olhado e desgraças. Essa crença vem de elementos místicos ligados ao ferro, metal do qual é feita a ferradura. Na Antiguidade esse era o metal temido pelos maus espíritos. A forma da ferradura (meia-lua) também aguça a crença, visto que a lua é um forte elemento esotérico. A ferradura é usada na pata do cavalo e assim tem grande contato com a terra, fonte de vida, outro forte elemento ligado a ela.

Figa – Elemento muito popular, tem a imagem da mão com o polegar colocado entre os dedos indicador e médio. Diz-se que “fecha o corpo” de quem a usa. Tem o poder de afastar mau-olhado, esconjurar o mal, a inveja e consequentemente atrair bons resultados para quem a possui. É aconselhável a quem perder uma figa a não procurá-la, acredita-se que quando isso ocorre ela leve consigo todo o mal acumulado.

Fita do Senhor do Bonfim – Esse talismã baiano concede três graças a quem o adquire. A pessoa deve enrolar a fita no pulso e dar 3 nós, a cada nó é feito um pedido. Os pedidos serão concedidos quando a fita for partida, naturalmente. Ela deve permanecer no pulso até que isso ocorra ou os pedidos não serão atendidos. Pode ser encontrada em diversas cores. Há quem acredite que cada cor pode facilitar o atendimento do pedido específico como por exemplo: rosa para pedidos relacionados ao amor, branco para pedidos relacionados ao término de brigas e assim por diante. Além de conceder os pedidos essa fita traz, para quem a usa, a proteção do Senhor do Bonfim, que representa Jesus Cristo.

Anel mandala da Prudência, de Rose Carvalho
Anel mandala da Prudência, de Rose Carvalho

Mandala – Em sânscrito seu significado é círculo. São desenhos utilizados a princípio para estimular a meditação e concentração. O centro da Mandala representa a divindade, a consciência superior. Ao redor do centro estão diversas formas que representam a personalidade humana. Pode-se dizer que é uma linguagem universal da alma. Através do desenho representa-se o interior do ser ou mesmo aquilo que se deseja alcançar. Acredita-se que a observação prolongada da Mandala estimule a alma na busca de novos horizontes. O uso de uma Mandala transmite a quem a observa uma energia, uma vibração, um estado de espírito. Dessa forma você estará sinalizando para outras pessoas como sua alma se sente, o que ela almeja. Isso pode propiciar o encontro de duas almas que tenham o mesmo objetivo.

Número Sete – É um número muito importante no universo Esotérico. Coincidência ou não são sete as cores do arco-íris, os pecados capitais, os dias da semana, os céus no Budismo, os braços do candelabro judaico, as linhas dos orixás na Umbanda, as dores de Nossa Senhora no Cristianismo. É um número de poder que deve ser usado por pessoas que necessitem elevar sua autoestima, aumenta a confiança e segurança.

Olho de Cabra – Semente que exibe duas cores, o vermelho alaranjado e o negro, essa mistura torna-a chamativa. Esse poder a ela conferido pode ser usado como forma de “absorção” do mau-olhado, da inveja, de cargas negativas.

Olho grego e figa
Olho grego e figa

Olho Grego – Deve ser sempre na cor azul que filtra energias baixas, e em vidro por ser um material que apresenta rachaduras após absorver o máximo possível de energias negativas, isso faz com que seja eliminado e leve consigo tudo o que “capturou”. Muito usado para proteção do lar, colocado atrás da porta de entrada. Pode ser usado também para proteção pessoal principalmente contra mau-olhado e inveja.

Pé de Coelho – Amuleto trazido ao Brasil pelos norte-americanos. Entre os povos do Sudão o coelho é tido como animal que representa a astúcia, esperteza. A pata é responsável pelo equilíbrio, firmeza, movimento. Seu uso propicia agilidade, esperteza, solução rápida para problemas complexos.

Pimenta – Seu sabor ardente e abrasador é provavelmente o maior responsável por seu uso como amuleto. A sensação desagradável no paladar propicia igual desagrado a quem a observa, afastando inveja ou más intenções. A cor vermelha de algumas espécies ajuda nesse processo à medida em que atraem pelo colorido intenso, os olhos são atraídos pela peça e a energia baixa é “dissolvida”.

Pomba – Simboliza a paz, a delicadeza, a moderação. Esse pássaro já foi muito utilizado em diversas representações, nas mais variadas culturas. Foram pássaros sagrados de Afrodite (deusa do Amor), foi empregado no envio de mensagens por sua característica em reencontrar o local do ninho, no Cristianismo sua presença marca o fim do dilúvio além de representar o Espírito Santo, foi considerada pássaro da alma na Índia e na China símbolo da fidelidade conjugal. Temos aí diversas faces desse animal/símbolo para ser usada da forma que melhor atender às necessidades de cada um.

Saco de Ouro – Forte amuleto para atrair dinheiro. O metal ouro já é um forte aliado visto que sua coloração amarela e brilhante chama atenção e atrai diversas riquezas.

Sapo – Seu aspecto desagradável e a secreção expelida por sua pele fez do sapo um aliado das bruxas e feiticeiras. Sua fácil reprodução possibilitou associá-lo à fertilidade, à multiplicação. Em diversas culturas associa-se também o sapo à mulher, à proteção do lar. Deve ser usado quando houver a necessidade de aumentar, multiplicar algo, seja dinheiro, fertilidade, opções etc.

Trevo de quatro folhas – Planta venerada desde a época dos Druidas. Em algumas épocas foi costume plantá-lo sobre túmulos como símbolo da renovação da vida após a morte. Busca-se muito o trevo de quatro folhas, ele é muito raro. Acredita-se que propicie boa sorte e longevidade.

 

Nessa matéria você teve a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre esses elementos enigmáticos e curiosos que a sabedoria popular mantém vivos, mesmo em pleno século XXI, muitos deles desfilando aí pelas vitrines de Joalherias. Você pode “descobrir” seus próprios símbolos, criar figuras ou elos pessoais com elementos que possuam alguma ligação com seu estado de espírito ou necessidades. O importante é acreditar.

Proteção associada à beleza, não podia ser melhor!

Bibliografia e fontes

Imagens: Joias raras – Coco e Ouro – designer Sandra Batista – www.joiasraras.com

Imagens:
Pingente sapo – ouro e esmeraldas, de Lilian Granado
Anel Mandala da Prudência, de Rose Carvalho

Bibliografia
Dicionário do Folclore Brasileiro – (Luís da Câmara Cascudo) – editora Global
Dicionário Ilustrado de Símbolos – (Hans Biedermann) – editora Melhoramentos

Publicação

Artigo originalmente publicado no site JoiaBr

Autor(a): Márcia Pompei

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