Peças de joalheria e o misticismo

Ao longo desses anos tenho abordado vários aspectos místicos das joias. Hoje vou falar de peças específicas e seus significados.

foto: Almir Pastore
foto: Almir Pastore

As pontas dos dedos das mãos foram considerados, por diversas culturas, como pontos emissores e receptores de energia, um forte canal de “magia”. Houve tempo em que o ANEL era usado por magos, “bruxos” e curandeiros, “manipuladores” dos segredos. Essas pessoas usavam anéis nos dedos como proteção, já que se expunham abertamente a todas as formas e níveis de energia.

Os anéis “mais desejáveis” eram confeccionados em ouro, bronze e vidro. Possuíam ainda mais “força” quando tinham gravações de letras gregas, hebraicas, monograma de Cristo, sete velas, candelabro, cruz ou animal especial.

A própria forma redonda do aro já é bastante significativa no meio esotérico. Na Idade Média, os anéis eram usados para fechar recipientes com veneno ou mesmo relíquias. No Oriente era usado um aro em forma de pentáculo (estrela de cinco pontas) com o brasão e nome do proprietário, forte amuleto de proteção. No Islamismo o anel era de prata com o nome de Deus ou um versículo do Corão, afinal Maomé só aceitava a prata como metal para joias.

Soberanos ingleses usaram com fervor o “anel de casamento com a Inglaterra” no dedo anular da mão esquerda. Trata-se de um aro em ouro com um grande rubi sobre o qual está gravada a cruz de São Jorge. Sua origem vem da cavalaria romana onde a gravação era de armas e brasão.

Impossível não mencionar a “aliança”, anel que sela a união de duas pessoas ou que, no caso das freiras, simboliza o “casamento com Deus”.

foto: Almir Pastore
foto: Almir Pastore

Os BRINCOS também trazem histórias interessantes consigo.

Em hebraico seu nome é quedosho, tradução: coisa santa.

Foram muito usados pelos israelitas. Ciganos e piratas também foram adeptos dessas peças. Entre estes o brinco era usado para representar a submissão às forças da natureza.

Também está associado às faculdades visuais, como proteção. O ponto em que é perfurado o lóbulo da orelha relaciona-se à visão.

Entre escravos e animais domésticos foi usado no nariz como sinal de submissão.

Nos pulsos o BRACELETE (ou PULSEIRA) tem várias funções. A forma circular, repetindo, é a mais representativa nas joias místicas e ela também é empregada aqui.

Entre os orientais é conhecida a bazuband, uma plaqueta com nove pedras preciosas. Acreditam que libere poderes mágicos quando amarrada ao braço. Na Índia o tabak ou tatki pode ser usado tanto nos braços quanto em outras partes do corpo (tornozelo, peito etc). Trata-se de um amuleto cujo principal objetivo é a cura.

Também nessa cultura são comuns os braceletes em círculo interrompido, ou seja, o aro do bracelete não é contínuo, há duas pontas onde se adaptam acabamentos que podem ser a cabeça de um animal ou outra decoração. O círculo interrompido representa evolução.

Curiosa é a pulseira-amuleto composta por uma placa de metal sobre a qual é formado um monograma com cabelos trançados; estes fios são protegidos por uma fina lâmina de cristal.

Quando bracelete ou pulseira são usados no braço direito indicam posição social de destaque. Já no braço esquerdo sinalizam posição de submissão. Nesse mesmo braço já foi usado por lésbicas.

A TORNOZELEIRA é uma peça bastante exótica. Dançarinos de templos hindus usavam tornozeleiras ocas recheadas com bolinhas metálicas. Sons agradáveis eram obtidos com o movimento do corpo na coreografia.

O COLAR também foi amplamente usado por magos, em cerimônias formais. Normalmente sustentava o símbolo maior da seita ou cultura. Posteriormente foi agregado de valores sociais. Surgiu o “colar das ordens de cavalaria”, o “colar de batismo” entre outros.

É bom conhecer um pouco mais da história de peças hoje tão comuns em nossas vidas.
Quantas curiosidades podem conter, quanta simbologia, quantos mistérios…

Bibliografia e fontes

Os Talismãs e seus segredos
Nadia Julien – Editora Rideel Ltda

Publicação

Artigo originalmente publicado no site JoiaBr

Autor(a): Márcia Pompei

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