Os Metais da Joia: texto de estreia da coluna sobre produção de joias

O metal jamais perderá seu trono na joalheria.

Metal é o elemento básico de uma joia. Ela pode ou não ter gemas preciosas, mas o metal é fundamental. Com as “correntes” artísticas surgiram outros materiais na produção de joias de vanguarda: acrílico, madeira, fibras naturais, sementes, vidro, mas o metal jamais perderá seu “trono”.

O ouro é sem dúvida o mais empregado na alta joalheria, platina vem em seguida.

Joias de prata são consideradas “menos nobres”, afinal elas oxidam, mas também têm seu nicho, assim como as joias folheadas, feitas de latão e outras ligas com banhos galvânicos de metais preciosos.

 

As cores do metal

Na alta joalheria a cor mais procurada no ouro é o amarelo seguido pelo branco. Com o surgimento de novas tecnologias vimos o ouro adquirir outras cores. Hoje as vitrines e catálogos mostram o “cognac”, “rosê”, “negro” entre outras mais “tímidas”.

Mas se o ouro é naturalmente amarelo como é possível que mude de cor?

Anéis de ouro amarelo, branco e rosa: Mirandouro
Anéis de ouro amarelo, branco e rosa: Mirandouro

A cor no ouro varia conforme a composição da liga, ou seja, diversos metais podem ser acrescentados ao ouro amarelo fazendo com que sua cor sofra alterações.

OURO + 16,6% PRATA + 8,3% COBRE OURO AMARELO
OURO + 8,3% PRATA + 16,6% COBRE OURO ROSA
OURO + COBRE OURO VERMELHO
OURO + PRATA + ZINCO OURO AZUL
OURO + PRATA + FERRO (OU AÇO) OURO NEGRO
OURO + PALÁDIO OURO BRANCO
OURO + PRATA OURO VERDE

Essas alterações na cor são muito suaves e discretas, um ouro azul não é exatamente azul, ele lembra a tonalidade dessa cor.

Além da alteração na liga metálica do corpo da joia outra também pode ser empregada para alterar sua cor, a galvanoplastia, a mesma usada nos folheados. Depois de pronta a joia é recoberta por uma camada de metal nobre de outra cor.

Um tratamento de superfície pode ‘recobrir” a peça com uma determinada cor enquanto seu interior se mantém com a cor original do metal.

O PVD – Physical Vapour Deposition, é um processo industrial descoberto recentemente, que pode conferir as mais diversas cores ao metal, cores intensas e não apenas “nuances”. Um material é transformado em vapor e depositado sobre uma superfície. Algumas indústrias joalheiras da Europa empregam esse processo para embelezar suas peças com cores surpreendentes. O processo não foi criado especificamente para a joalheria mas pode ser empregado em metais nobres sem qualquer problema.

Grisogono
Grisogono

É importante lembrar que a joia que recebe um tratamento de superfície como a galvanoplastia ou mesmo o PVD é ainda mais frágil. Produtos abrasivos podem danificar essa cobertura, portanto é imprescindível lembrar ao consumidor sobre os cuidados com sua joia, para que ela permaneça bonita e vistosa por muito mais tempo.

 

Folheadas

As joias folheadas têm ganhado força e mercado nos últimos anos, são muito mais baratas do que as joias de ligas de ouro e prata. O consumidor pode comprar diversas peças folheadas e descartá-las com maior facilidade nas oscilações da moda. Sua composição pode variar entre latão e outras ligas, sempre menos nobres. O banho na superfície do metal é o que confere o status de “folheado” e enobrece a peça. Essa técnica recebe o nome de galvanoplastia.

Uma questão que pode gerar confusão ou até desconfiança do consumidor no momento da compra é o banho, a galvanoplastia. No Brasil temos o costume de achar que joia “folheada”, “banhada”, não é joia de verdade. Durante muito tempo vendedores evitaram comentar que a joia de ouro branco leva um banho de ródio, para não criar um empecilho no ato da venda.

Hoje, com o fácil acesso a todas as informações, é fundamental manter um diálogo aberto e franco, informando detalhadamente o consumidor sobre as diferenças de um banho de folheado e o de uma joia de ouro. O primeiro confere nobreza, é superficial. O segundo confere beleza, diferencia a peça, é tão nobre quanto seu interior.

Publicação

Artigo originalmente publicado no site InfoJoia

Autor(a): Márcia Pompei

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