Laço: adornando nossas joias

4O laço, que já esteve presente em vários momentos da história da moda, volta com força total, tanto em terras brasileiras como internacionais. Em vestidos, sapatos, bolsas, faixas para cabelo, presilhas, adornos para celular e tantos mais.

O setor joalheiro também conta com sua presença. Numa aura de romantismo ele vem em vários estilos, desde o bucólico, passando pelo mais arrojado até chegar ao clean.

Normalmente associado ao nó, com pequenas diferenças em termos místicos, ele contém uma simbologia rica e surpreendente. Vamos conhecer mais:

Sua imagem mais forte e básica é a da ideia de “atar” e “desatar”. Associa-se à união quando atado e liberação de forças quando desmanchado. (Fantástico aqui imaginar uma “joia laço” representando uma forte energia que está sendo guardada para um momento especial onde será liberada…).

Na bruxaria, os laços eram empregados em feitiços para imobilizar algo (pessoa, energia, ação etc). Algumas culturas possuíam bruxas “especialistas” em nós. Porém quando eram usados normalmente representavam a intenção de “cessar” o feitiço em algum momento futuro, como se fosse algo “provisório”.

Muitas vezes representava uma situação de enlace, onde a união formal (casamento) não podia ser oficializada naquele momento. Laço muito firme (apertado), segundo algumas culturas, tinha o poder de manter unidos os enamorados, além de “prender” seres do mal, imobilizando-os.

O “desmanche” do laço ou nó, com objeto cortante, simboliza a falta de paciência, a busca da solução por um caminho mais curto (nem sempre o melhor).

É popularmente conhecido o hábito de dar um laço ao redor de um dos dedos para lembrar de algo, como se estivesse a “prender” a memória.

Na Grécia antiga, as imagens das divindades eram presas com nós ou laços para impedir que os deuses abandonassem aquele local. Outro uso dos laços e nós, feito por esse mesmo povo, era o ornamento de ouro usado para acelerar a cicatrização de ferimentos.

Na China os laços e nós têm grande peso na simbologia. O “nó da fortuna”, aquele que volta a si mesmo por várias vezes, é um símbolo do Budismo, que ainda tem outros mais como o “dos oito tesouros”, simbolizando a infinita sabedoria da vida espiritual.

No Cristianismo, os nós no cordão das vestes simbolizam a ligação aos três votos: pobreza, castidade e obediência.

Também foi valorizado no antigo Egito. É conhecido o “nó de Ísis”, cuja imagem é a de uma fita entrelaçada em forma de anel que representava a eternidade. Segundo alguns estudiosos esse símbolo é também a representação do órgão sexual feminino. Normalmente feito em ouro ou pedra vermelha para representar o sangue da grande deusa.

Entre os hindus está relacionado às vísceras dos inimigos, usado como um “prêmio” após a morte dos mesmos.

Na Maçonaria, o “laço da união” (corde d’union) representa a união aos deveres.

Algo que ainda permanece como incógnita entre os estudiosos do esoterismo são os adornos das duas colunas românicas da catedral de Wurzburgo. Seus nomes são: Jaquim e Booz, os mesmos das colunas do templo de Salomão. Os adornos são: um laço com oito voltas e um nó e um outro laço com quatro voltas e dois nós.

Na cultura popular brasileira são usados em fios de algodão, na feitiçaria e nos catimbós. Têm a função de interromper, obstruir, dificultar algo.

É impressionante quanta simbologia e informação pode conter uma imagem, um elemento. Mas, além do mundo esotérico, a forma do laço atrai e embeleza, motivo suficiente para fazer parte do seu visual!

Bibliografia e fontes

Dicionário Ilustrado de Símbolos
Hans Biedermann – Editora Melhoramentos

Os Talismãs e Seus Segredos
Nadia Julien – Editora Rideel Ltda

Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo – Global Editora

Publicação

Artigo originalmente publicado no site JoiaBr

Autor(a): Márcia Pompei

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