Fordite

Quem vê uma peça de Fordite pensa logo numa Ágata, uma Malaquita ou Rodocrosita. Na verdade, ela não é uma pedra, embora seja também conhecida como Ágata de Detroit (apesar de ser encontrada em outras regiões).

São blocos com efeitos anelares e psicodélicos, normalmente em cores vibrantes, unidas camada por camada, resultante das pinturas automotivas. Ela foi “descoberta” por acaso, durante a limpeza dos fornos de pintura. Algumas dessas camadas chegaram a ser aquecidas mais de 100 vezes. É bem provável que seu nome tenha se originado da marca Ford de automóveis.

Até algum tempo atrás a pintura automotiva era feita manualmente, pulverizando a tinta sobre as partes metálicas e depois levadas para secar em fornos gigantes. Uma boa parte dessa tinta escorria, um pouco de cada aplicação, até formar blocos com várias camadas, de diversas cores.

De tempos em tempos essas áreas de trabalho passavam pela limpeza de rotina, e essas “bolhas” sólidas de tinta eram retiradas. Algumas pessoas começaram a perceber a beleza desse material e começaram a levar esse “lixo” para casa, para como artesanato, de diversas formas. Assim surgiram objetos decorativos, adornos de cachimbos, canivetes, cabos de facas e até joias.

A partir de 1970 o processo de pulverização começou a ser substituído pela pintura eletrostática, tornando o Fordite cada vez mais escasso.

Existe até um apelo nostálgico associado ao Fordite pois as camadas de cores contam um pouco da história dos automóveis de determinadas épocas, o que era Moda no momento.

Grandes colecionadores, espalhados pelo mundo, conhecem o material, meticulosamente. Chegam a identificar a fábrica daonde foi originado, pelas tonalidades de cores, intervalos entre as camadas, pigmentos metálicos, opacos ou com algum

Pode ser encontrada em cabos de facas, hastes de cachimbo, decoração de canivetes, objetos decorativos, abridores de carta, corpos de canetas. Seu emprego mais expressivo está mesmo nas joias.

Fordite é cortado, formado, lapidado e polido como uma gema de baixa dureza.

A história (e aparência) do Fordite se mescla com a história da Rebel Nell, o “Grafite Ressignificado”, e também de Detroit. O material utilizado para confeccionar joias e acessórios também nasceu do “lixo”. Nesse caso das camadas de tintas dos muros da cidade.

Amy Peterson fundadora da Rebel Nell

Amy Peterson queria ajudar sua cidade com algum tipo de economia alternativa. Com um olhar atento ela “enxergou” uma possibilidade incrível nas “cascas” das pinturas de muros, quando uma se sobrepõe à outra até descamar. Fruto do trabalho intenso dos grafiteiros.

Assim como o Fordite, esse “Grafite Ressignificado” gera peças exclusivas, uma nunca é igual à outra, o que já fascina o ser humano. Peterson começou a produzir peças e acessórios que carregavam a história da sua cidade, conquistando turistas que queriam levar um pouquinho dos bons momentos vividos naquele lugar. Daí nasceu a Revel Nell, uma marca de Moda e Arte que gera empregos para mulheres da comunidade.

Esse material difere do Fordite na dureza e também espessura, visto que as camadas de tinta de parede são bem mais finas do que as geradas através das pinturas automotivas, isso restringe um pouco a criação. Mas isso não é limite para quem consegue enxergar a beleza nos menores detalhes e lugares mais imprevistos.

Dois materiais inusitados, surpreendentes, que geram lindas peças e ainda dão emprego a quem precisa e levam uma mensagem de Reciclagem. Uma bela forma de ensinar o olhar. Um brinde à Arte.

Autor(a): Márcia Pompei

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