Design de Joias

Quando iniciei na Joalheria, em 1986, não imaginava que se transformaria num caso perdido de paixão.

Os jovens talentos de hoje sabem que nada cai do céu, no entanto (por incrível que pareça) comigo foi diferente. Logo no início fui finalista num concurso internacional o que destacou meu nome ao ponto de ser convocada para dar aulas. Depois de um tempo fui vencedora num concurso nacional.

Paralelamente começava a atender clientes particulares.

Mas vale mencionar novamente: Isso é uma exceção. Tudo é muito árduo, é preciso investir tempo, estudo, paciência, perseverança e especialmente esperança.

Quanto maior a especialização maiores serão as possibilidades. Nunca pense que já aprendeu tudo, nesse momento o designer “morre”. Há sempre espaço para aprender, em todas as áreas ligadas à Joalheria.

Entre os materiais, a “menina dos olhos” para mim são as gemas. Tenho procurado me especializar ainda mais nesse setor.

Desde que o mundo é mundo o ser humano tem a necessidade de se enfeitar. Com o passar dos séculos isso transformou-se no que chamamos “Moda” e que era usada com obrigação de impressionar. As joias fazem parte desse universo de luxo e poder. Com a mudança dos tempos a Joalheria foi desmistificada e ficou mais acessível a todos, não só aos ricos e poderosos. Assim tornou-se mais dinâmica e reagiu rapidamente às mudanças. A Joalheria hoje absorve e reflete a moda, as tendências e as ideias. Com a integração Joia/Moda – Moda/Joia o design de joias segue para infinitas direções.

A criação de uma peça, o design, envolve um processo muito parecido ao da maternidade, cada peça pronta é como um “filhinho”. A própria criação é um ato de concepção. Um simples olhar identifica aquela à qual o designer se entregou totalmente. O momento da venda é aquele no qual entregamos “nosso filho” para os outros tomarem conta.

É muito difícil dar ao aprendiz uma “fórmula” para criar, isso não existe. O importante é perceber o mundo ao seu redor e demonstrar isso, passar sua visão para os outros, cada um da sua forma, sem perder seu estilo próprio que é a sua “identidade”.

Podemos perceber hoje a joia muito associada às artes. Claro que joia é arte, sem dúvida, mas existem formas diferentes de interpretação que podem ser consideradas mais artísticas ou mais comerciais. As comerciais procuram atender ao gosto do consumidor, da massa, seguem a moda. As artísticas procuram atender às necessidades de expressão do seu criador, podendo ou não ser entendidas pelo público consumidor.

O design brasileiro entrou nesse cenário dinâmico há tempos. Hoje já podemos perceber um desenho de joias brasileiro. É importante ressaltar que não devemos (nós designers brasileiros) nos esquecer da nossa personalidade, da nossa ginga, da nossa sensualidade, isto é, da nossa natureza.

O designer brasileiro é hoje mais confiante, sabe que é capaz e competente. Feiras e Concursos internacionais destacam trabalhos dos brasileiros. Estamos entre finalistas e vencedores de diversos concursos. Estamos fazendo bonito!

A pergunta famosa: o que é joia? Sei que tem gente que não vai gostar da minha opinião, mas… pra mim joia é tudo aquilo que atua como adorno pessoal, desde que tenha um raciocínio sobre sua criação, pode ser de papel, plástico e não só com materiais nobres.

Gente, o futuro é brasileiro! Confie no seu talento!

Autor(a): Claudia Petrella

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