Borboletas: flutuando entre ouro e pedras preciosas

Tenho especial carinho por essa figura. A simbologia que a cerca é tão rica e bela a ponto de trazer à tona emoções adormecidas em nossos “escuros porões”.

A própria jornada de vida desse inseto, sua metamorfose; uma espécie de “phoenix” do mundo real. A borboleta morre (como lagarta) antes de nascer bela, leve, “mágica”.

Esse fato tem confrontado o homem, ao longo de muitos anos, crenças e culturas, com sua própria evolução espiritual.

É comum encontrar o símbolo da borboleta em antigos túmulos, provavelmente a esperança de um “renascimento”.

Em grego seu nome é psyché, que também significa “alma”.

Foi associada aos elfos devido à sua rapidez e leveza.
A Psyché da mitologia grega tem a imagem de uma jovem com asas que lembram as da borboleta. Hypnos, o deus do sono, também é representado com suas asas.

Está associada à transformação, alma, sensualidade, leveza.

E, em tempos de comemorações pelos 100 anos da Imigração Japonesa, nada mais justo do que abordar as representações desse símbolo nessa rica cultura.
No Japão está associada à mulher. Duas borboletas juntas simbolizam a felicidade no casamento, harmonia.

Um antigo e belo verso japonês procura expressar o sentimento de tristeza pelas alegrias perdidas: “a flor caída não retorna ao galho… pensava que a flor tivesse retornado ao galho, mas ai, era apenas uma borboleta”.

Conta uma lenda japonesa que um senhor muito idoso, em seu leito de morte, fora visitado por uma borboleta branca. O sobrinho, que fazia companhia ao tio, seguiu o inseto quando esse voou em direção ao cemitério. A borboleta pousara no túmulo de “Akiko”. Nessa mesma tarde, enquanto o sobrinho vigiava a borboleta, seu tio morrera. Sua mãe, dias depois, contou sobre a triste vida de seu irmão (o tio). Ele estivera noivo de uma linda moça que morrera dias antes do casamento. Inconformado com a perda ele comprou uma casa próxima ao cemitério onde a noiva fora sepultada para cuidar diariamente de seu túmulo, seu nome era Akiko. O rapaz contou então sobre a borboleta e a mãe sorriu, finalmente seu irmão encontrara a felicidade. A noiva tomara a forma de uma borboleta branca para buscar seu amado. Na crendice japonesa, a borboleta branca representa a alma de uma pessoa querida já falecida.

Na China representa o jovem apaixonado que busca a essência das flores.
Um poeta chinês escreveu: “Na noite passada sonhei que era uma borboleta e agora, não sei se sou um homem que sonhou que era borboleta ou, talvez, uma borboleta que agora está sonhando que é homem”.

Também foi valorizada na cultura mexicana, associada a algumas divindades.

Na cultura popular brasileira está presente nos folguedos das Pastorinhas que acontecem no período natalino.

Algumas correntes místicas acreditam (e eu também!!!) que quando uma borboleta se aproxima de você ela traz uma benção de Deus dizendo: “Amém”. Então, preste atenção na próxima vez em que isso acontecer! O que você está desejando pode se concretizar realmente.

Sem dúvida alguma, como consideram diversas culturas, ela é o símbolo perfeito da transformação, da elevação, da evolução. Um exemplo vivo de que devemos “encerrar” uma etapa de vida para dar início a outra, provavelmente melhor e mais bela. Esse processo todo tem tempo e duração corretos para acontecer.

Disse o sábio poeta Mário Quintana: “O segredo não é correr atrás das borboletas… é cuidar do jardim para que elas venham até você”.

Bibliografia e fontes

Dicionário Ilustrado de Símbolos
Hans Biedermann – Editora Melhoramentos

A Linguagem Esquecida
Erich Fromm – Zahar Editores

Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo – Global Editora

Publicação

Artigo originalmente publicado no site JoiaBr

Autor(a): Márcia Pompei

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