Aliança: o passo a passo de uma meia cana artesanal

Clássica e tradicional.

Clássica, tradicional, uma joia extremamente importante que marca um momento especial: casamento, união, “pacto”, seja qual for o nome ou rótulo, ela é especial. Nos dias de hoje a indústria joalheira dispõe de equipamentos e tecnologias que aceleram a produção das alianças, além de incorporar elementos “novos”, como as texturas em tornos. No aprendizado, a aliança é uma das primeiras peças que o aprendiz de ourives executa. A produção que vemos aqui é a mais tradicional.

Neste passo a passo, vamos usar o perfil ‘meia-cana” o mais conhecido em alianças. Ele é curvo na parte externa do dedo e plano na parte interna.

Materiais:
1- Fio quadrado de prata
2- Solda para prata
3- Limas para metal
4- Arco de serra e serra para metal
5- Martelo de silicone
6- Pau de Medida
7- Tribolé redondo
8- Massa de polimento para metais

 

 

Etapas:

1) O fio quadrado passa por um equipamento chamado laminador elétrico.

2) Ele dará a forma meia-cana ao fio. O metal pode ser prata, ouro ou latão.


3) O fio será cortado com a serra na medida necessária para fazer a aliança. Essa medida é obtida através de um cálculo muito simples: 40 (número fixo) + número do dedo. Nesse caso vamos imaginar o número de dedo sendo 19, então nossa conta fica: 40 + 19 = 59 mm. Logo, vamos cortar um pedaço de fio meia cana com 5,9 cm. (Saiba mais sobre a norma ABNT de medidas de anéis e alianças)

4) Cortado o fio meia cana para o aro da aliança vamos dar a forma redonda usando um tribolé e um martelo de silicone. O tribolé é uma ferramenta utilizada na confecção de anéis. O martelo é de silicone para não “machucar” a superfície do metal quando martelar.

5) Para soldar o anel usamos antes um fluxo de solda conhecido como Soldaron. Esse líquido tem uma cor amarelo neon. Ele é aplicado sobre o metal com um pincel.

6) Depois, um pequeno pedaço de solda é aplicado sobre a emenda da aliança. Esse pedaço de solda é chamado de “palhão”. Quando aquecido pelo maçarico ele adquire a forma de uma bolinha. Ao aquecer uniformemente o anel ela se “dissolve”, soldando o anel.

7) Após o aquecimento o metal fica oxidado. Ele segue então para a decapagem, uma limpeza que elimina os óxidos produzidos pelo calor.

8) Veja a mesma peça após a decapagem.

9) A aliança deve ser medida para verificar se o número do dedo está correto. Isso é feito no Pau de Medida, um tribolé que tem as numerações de dedos.

10) As limas retiram excessos de solda nivelando a peça. Devem ser usadas por dentro e por fora da aliança.

11) Em seguida vem o acabamento com lixas. Utilizamos lixas d´água, nas gramaturas 280, 320, 400 e 600, nessa ordem. Uma lixa retira as marcas da anterior. Utilizamos um motor de bancada, popularmente conhecido como “chicote”. É fixada uma ponteira que tem um encaixe especial para o pedaço de lixa.

12) Após as lixas, a peça segue para a politriz, um motor onde são acopladas escovas especiais para o polimento. Nessas escovas são aplicadas massas para o acabamento final da peça. Para o brilho do metal é utilizado o rouge, uma massa vermelha. O anel deve ser polido por dentro e por fora. Por dentro são usadas ponteiras de feltro, acopladas também à politriz.

13) Aqui a aliança que acaba de ser polida em politriz com rouge.

 

Esse é o processo básico utilizado para a produção de uma aliança tradicional. Variações são muitas, desde o fio meia-cana com desenhos em relevo até cravações de pequenas pedras, tudo depende da criatividade e gosto de quem a manufatura.

Publicação

Artigo originalmente publicado no site InfoJoia

Autor(a): Márcia Pompei

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