A joia no Japão

O conceito de joia no ocidente difere do japonês. Provavelmente isso está relacionado à concepção secular de moda no Japão.

Não se via no vestuário tradicional complementos como colares, anéis, brincos e pulseiras, mas isso não quer dizer que os japoneses não usassem joias. Trata-se de uma questão de diferentes concepções do que é uma joia.

No Japão antigo colares e pulseiras com contas de vidro, madrepérola e jade (de influência chinesa) eram usados pelos homens e mulheres da nobreza. Com a evolução do artesanato têxtil em seda deu-se ênfase ao próprio tecido nas formas de vestuário, consequentemente os acessórios chineses caíram em desuso.

A escassez de metais preciosos no arquipélago, como a prata e o ouro, e de pedras preciosas como diamantes, rubis e esmeraldas, também foram fatores que limitaram a produção de joias como as que conhecemos no ocidente.

No século XIX, quando o Japão passou a receber influência das potências ocidentais, as joias, como conhecemos, causaram impacto no país, as joias ocidentais tornaram-se sonho de consumo das mulheres japonesas. Somente a partir daí é que surge no Japão a preocupação em produzir joias de acordo com gostos ocidentalizados.

Assim, adornos de uso pessoal eram, via de regra, feitos com materiais e acabamentos que no ocidente provavelmente não seriam considerados exatamente joias. Eram usados: madeira laqueada, coral, madrepérola, casco de tartaruga, marfim, jade e opalina, embora esses acessórios não sejam exatamente baratos em termos monetários.

Para o japonês o que encarece, o que torna um acessório uma joia ou não, é trabalho humano, são as pessoas que fazem a decoração e acabamento da peça transformando material bruto em arte e não sua matéria-prima cara.

A gueixa, elemento feminino famoso e tão atraente aos olhos ocidentais, usa os enfeites de cabeça com extremo cuidado, eles não são colocados aleatoriamente, seguem estilos e variam de acordo com a idade da gueixa, estação do ano e ocasião (formal, informal, palco, banquete, etc.). Esses enfeites recebem a denominação genérica de kanzashi e são muito variados: espetos simples com bolinhas de coral, pérolas ou jade; palitos com as extremidades alargadas em formas de pás e pés-de-cabra; buquês de flores moldadas em tecido ou esculpidas em materiais sólidos; pentes largos e decorados cuja parte superior é feita para ficar aparente. Em livros sobre Japonismo e nos anuários de antiguidades da Lyle podemos encontrar fotos de pentes decorativos, inrõs e netsukes. O pingente metálico, muito conhecido, costuma ser feito em prata – um longo espeto com uma extremidade em forma de minileque semicircular de mais ou menos 8 cm, em cujas extremidades prendem-se vários filetes de 5 cm de comprimento com argolinhas.

Pouca gente sabe, mas os leques no Japão são acessórios quase obrigatórios ao kimono. Alguns chegam a ser considerados quase joias dependendo do tipo de acabamento e do papel (em alguns casos eles também indicam o nível social do seu portador, ou o grau de importância dessa pessoa em sua profissão).

Muito tradicionais são as caixinhas inrõ e os prendedores netsuke, eles eram usados como “bolsas” de kimono, principalmente por homens. Feitos em madeira esculpida e laqueada, com detalhes em marfim, madrepérola e jade, eram acessórios tão elaborados que embora não sejam mais usados há mais de um século os colecionadores pagam fortunas por eles até hoje.

As mulheres japonesas hoje estão retomando a “estética” tradicional e podemos vê-las nas ruas portando os quimonos. A composição do conjunto fez retornar os pentes e acessórios de cabelo no entanto hoje eles têm design, formas particulares e exclusivas.

Autor(a): Cristiane Sato

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