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Matéria publicada no Site: www.joiabr.com.br
 


MÃE ÁFRICA
Brilhando na joalheria brasileira
2ª parte


Márcia Pompei(*)




 

Voltamos com mais informações sobre essa cultura mãe que “invadiu” a Moda brasileira. Vamos conhecer um pouco mais.

Os Símbolos dos Orixás
Ogum (Santo Antônio) – faca
Xangô (São Jerônimo) – carneiro, abacaxi
Oxum (Nossa Senhora da Conceição) – uva
Oxocê (São Jorge) – lua, espada
Omolu (São Lázaro) – cão
Omolu moço (Santo Isidoro) – boi
São Cosme e São Damião – moringa d´água
Nana (Sant´Ana) – palmatória

Brincos
Um dos mais tradicionais é o chamado “pitanga”. Sua forma lembra essa fruta. Pode ser composto por búzio, coral, âmbar, ágata e ao redor ouro ou prata.
Os búzios também são muito usados nessa peça. Podem estar em argolas ou adornados de ouro ou prata ao seu redor.

Os búzios já eram usados por povos do Neolítico, como amuleto de proteção. Também foram muito apreciados por diversas tribos indígenas. Já foram empregados como moeda por longo tempo no Brasil. É um elemento de opostos, podem ser temidos e desejados ao mesmo. Podem trazer o insucesso ou a sorte.

Nas religiões de origem africana os sentidos convivem em harmonia com o sagrado. Movimentos, gestos, formas, cores, sabores, odores e indumentária são componentes fundamentais nos diversos rituais. Não há distanciamento entre o divino e o humano como em diversas outras religiões.

Pulseiras
São bem variadas. O material pode ser apenas metal, latão, cobre, ferro, chumbo, prata, bronze. Podem ser vistas também em contas, sementes, couro combinado a outros materiais entre outros.

Bastante conhecidos são os chamados Punhos ou Copos. Com filigranas em ouro e prata.

Nos tornozelos argolas de bronze, ferro, cobre. Muitas vezes têm guizos dourados ou prateados que emitem sons ao andar ou dançar. Afastam maus espíritos que possam estar no caminho de quem se locomove.

Balangandãs
Diversas peças penduradas em um tipo de argola decorada. Cada peça é um amuleto. Seu nome se deve ao som que emitem quando em movimento. A origem conta que eram usados na cintura das negras em dias de festa, como adorno e também para afugentar mau-olhado. Há uma crença de que eram usados nessa região do corpo para atrair a fertilidade.

Negras que trabalhavam nas ruas usavam-nos numa determinada ordem sequencial. Cada peça com seu significado. Eram sacralizadas nos terreiros antes do uso. Protegiam o dinheiro ganho. Podiam conter de 20 a 50 objetos.

Talvez daí tenha surgido o costume do brasileiro em sempre “carregar” consigo, junto ao corpo, uma jóia ou adorno qualquer, como forma de proteção mágica ou religiosa.

Mas o interessante é que nem todos os objetos contidos na penca de Balangandãs são de origem africana ou afro-brasileira. Alguns deles são símbolos cristãos adaptados para a cultura africana.

Fato é que a miscigenação de raças e crenças não engrandece apenas ao homem, mas também à diversidade de peças com que se adornam. A boa convivência fazendo bonito por dentro e por fora!

Bibliografia

Jóias de Axé - A A Joalheria Afro-brasileira
Raul Lody - Editora Bertrand Brasil

Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo - Editora Global

 

(*) Márcia Pompei - Designer de jóias e professora de joalharia e especializações
no Atelier Márcia Pompei. É formada em Propaganda e Publicidade e atua no ramo desde 1990. Estudou com grandes mestres da Joalheria brasileira. Participou de exposições dentro e fora do país. Desenvolve uma linha de material didático abordando diversas áreas da Joalheria.
mapompei@joia-e-arte.com.br

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